Julho das Pretas: trabalhadoras negras ainda enfrentam desigualdades estruturais no Brasil

O dia 25 de julho marca o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha. No Brasil, a data também marca o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra Brasileira. Inserido no contexto do Julho das Pretas, esse calendário reafirma a luta histórica das mulheres negras contra o racismo, o machismo e a exploração, ao mesmo tempo em que revela as profundas desigualdades que seguem marcando suas vidas.

A data internacional foi instituída em 1992, durante o 1º Encontro de Mulheres Negras Latino-Americanas e Caribenhas, realizado na República Dominicana. No Brasil, desde 2014, também homenageia Tereza de Benguela, líder do Quilombo do Quariterê, em Mato Grosso, símbolo da resistência negra e da luta contra a escravização e a opressão no período colonial.

Apesar da maior presença de mulheres negras em espaços de poder e de destaque na cultura e na política, a realidade da maioria continua marcada por profundas contradições. As mulheres trabalhadoras e negras convivem com o recrudescimento da violência racista, machista e LGBTIfóbica, revelando os limites da sociedade capitalista estruturada na desigualdade.

Os dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública e da PNAD Contínua do IBGE refletem essa realidade. As mulheres negras representam 67% das vítimas de assassinato, 62% das vítimas de violência sexual e 65% das vítimas de violência doméstica. No mercado de trabalho, seguem recebendo cerca de 50% menos que os homens brancos, enfrentam maiores taxas de desemprego e permanecem concentradas nas ocupações mais precarizadas, como o trabalho doméstico.

Para o Sindicato dos Bancários do RN, o Julho das Pretas reforça que o enfrentamento ao racismo e ao machismo passa também pela defesa da classe trabalhadora, pela valorização salarial e ampliação dos direitos sociais. "A luta das mulheres negras trabalhadoras é parte essencial da luta da nossa classe. Lutamos por uma sociedade livre da exploração e de todas as formas de opressão, na qual direitos e igualdade deixem de ser privilégios e se tornem realidade para todas e todos.", destaca Hilda Azevedo, diretora do SEEB/RN.