A origem política da data está nas mobilizações operárias do início do século XX, quando mulheres exigiam direito ao voto, melhores salários e condições dignas de trabalho. Em 1910, na Conferência Internacional das Mulheres Socialistas, a revolucionária Clara Zetkin propôs a criação de um dia internacional de luta.
O marco histórico veio em 1917, quando operárias têxteis saíram às ruas de Petrogrado exigindo “pão e paz”, dando início a um processo que culminaria na Revolução Russa.
O 8 de Março não é uma data comercial. É um dia de mobilização internacional das mulheres trabalhadoras contra a desigualdade, a violência e a exploração capitalista. É dia de luta!
Apesar das conquistas resultantes de lutas históricas travadas nas últimas décadas, ainda é visível a naturalização da violência contra a mulher. É urgente denunciar a violência machista, a exploração capitalista e os ataques aos direitos e às condições de vida das mulheres trabalhadoras.
Basta de flores e bombons. As mulheres querem viver!
É fundamental exigir que os governos destinem orçamento
prioritário ao combate à violência machista, denunciar a omissão do Estado e a
precarização da rede de atendimento às vítimas. Ao mesmo tempo, é preciso
fortalecer a consciência e a organização da classe trabalhadora para enfrentar
essa realidade de forma unificada.
A luta das mulheres trabalhadoras deve estar articulada às lutas gerais da classe, pois a violência de gênero não é um problema isolado, mas parte de um sistema de opressão e exploração. O 8 de Março não é uma data para flores e chocolates. É para cobrar políticas públicas efetivas, ampliação de recursos, funcionamento integral de casas-abrigo, delegacias especializadas e centros de referência em todo o país.
Além disso, é necessário fortalecer a organização de base, com a construção de comissões de autodefesa e redes de solidariedade em sindicatos, escolas, bairros e movimentos, garantindo apoio, formação, denúncia e acolhimento às vítimas.
Lutar contra o machismo e acabar com a escala 6x1
A luta das mulheres passa também pelo enfrentamento à
superexploração e à precarização do trabalho, que atingem principalmente as
mulheres negras, que estão na base da desigualdade social. Por isso a luta
contra a escala 6x1 é central.
Essa jornada de trabalho desumana imposta por muitas empresas atinge em cheio as trabalhadoras, que enfrentam a dupla ou tripla jornada ao chegarem em casa, já que o machismo impõe às mulheres a responsabilidade pelo cuidado dos filhos, da casa e da família. As jornadas exaustivas da escala 6x1 significam ainda mais sobrecarga para as trabalhadoras.
Acabar com a 6x1 e estabelecer uma jornada 4x3, sem redução de salário, é fundamental para combater a exploração e o machismo que massacram as mulheres.
