Condições de trabalho precárias, jornadas exaustivas e redução de direitos. Este é o cenário que marca cada vez mais as relações trabalhistas no Brasil e que precisa ser enfrentado por trabalhadores e sindicatos em todo o país. Por isso, neste 28 de fevereiro, Dia Mundial de Combate às LER/DORT (Lesões por Esforços Repetitivos e Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho), é fundamental denunciar o avanço do adoecimento ocupacional e cobrar mudanças estruturais nas relações de trabalho.
No Brasil, dados da Previdência Social apontam que as LER/DORT representam cerca de 30% dos afastamentos por doenças relacionadas ao trabalho. Os números mais recentes confirmam que essas lesões seguem como protagonistas do adoecimento ocupacional no país. Apesar de as doenças físicas ainda liderem as estatísticas, os transtornos mentais já passaram a dividir o topo dos afastamentos.
De acordo com o INSS e o Anuário Estatístico da Previdência Social (AEPS 2024/2025), a dorsalgia (dor nas costas) foi a principal causa de afastamentos em 2025, com mais de 237 mil concessões de benefícios por incapacidade temporária. Pela primeira vez, os transtornos mentais, como ansiedade e depressão, ocuparam a segunda posição, logo atrás das doenças da coluna, revelando o impacto das condições de trabalho sobre a saúde psíquica da classe trabalhadora.
As mulheres são as mais atingidas, com cerca de 62% das notificações, tendo maior incidência na faixa etária entre 45 e 54 anos. Estudos da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), de 2023/2024, apontam que a subnotificação pode ultrapassar 11.000%. Muitos casos são registrados como doenças comuns, sem a emissão da Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT), ocultando a conexão entre o adoecimento e a atividade profissional.
Os indicadores de 2025 revelam os principais fatores de risco: movimentos repetitivos estão presentes em 77,6% das notificações; jornadas superiores a seis horas diárias em 68,4%; ausência de pausas é relatada por 39,4% dos trabalhadores; e ambientes estressantes aparecem como fator determinante em 38,9% dos registros.
Entre as ocupações mais vulneráveis estão alimentadores de linha de produção, operadores de caixa, faxineiros, bancários e profissionais de telemarketing. Ou seja, categorias marcadas por metas abusivas, ritmo acelerado e controle permanente da produtividade.
Pelo fim da escala 6x1
Nesse cenário, a luta contra a escala de trabalho 6x1 é central. A jornada que impõe seis dias consecutivos de trabalho e apenas um de descanso compromete o tempo de recuperação física, o convívio familiar e o direito ao lazer, agravando o risco de doenças ocupacionais e transtornos psicológicos. Não por acaso, o fim da escala 6x1 tornou-se uma das principais bandeiras da classe trabalhadora brasileira.
Para o Sindicato dos Bancários do RN, enfrentar o avanço das LER/DORT passa necessariamente pelo combate à superexploração. “A revogação das reformas trabalhista e da previdência, a redução da jornada sem redução de salários e a garantia de ambientes de trabalho seguros e saudáveis são medidas urgentes para proteger a saúde física e mental dos trabalhadores.”, aponta Alexandre Cândido, coordenador do SEEB/RN.
Neste 28 de fevereiro, os bancários reafirmam que o adoecimento não é uma fatalidade, é a consequência direta de um modelo que prioriza o lucro acima da vida. “A organização e a independência política dos sindicatos são fundamentais para enfrentar patrões e governos comprometidos com a precarização. Só assim vamos conquistar condições dignas de trabalho para toda a classe trabalhadora.”, destaca Alexandre.
Com informações da CSP-Conlutas.
